Esta é uma página teísta, de livre pensar. Admite a possibilidade de Deus ou Deuses e respeita todas as religiões, instituidas ou não. Adepta do diálogo aberto e da crítica construtiva.

“A opinião comum de que sou ateu repousa sobre grave erro. Quem a pretende deduzir de minhas teorias científicas não as entendeu. Creio em um Deus pessoal e posso dizer que, nunca, em minha vida, cedi a uma ideologia atéia. Não há oposição entre a ciência e a religião. Apenas há cientistas atrasados, que professam idéias que datam de 1880. Aos dezoito anos, eu já considerava as teorias sobre o evolucionismo mecanicista e casualista como irremediavelmente antiquadas. No interior do átomo não reinam a harmonia e a regularidade que estes cientistas costumam pressupor. Nele se depreendem apenas leis prováveis, formuladas na base de estatísticas reformáveis. Ora, essa indeterminação, no plano da matéria, abre lugar à intervenção de uma causa, que produza o equilíbrio e a harmonia dessas reações dessemelhantes e contraditórias da matéria. Há, porém, várias maneiras de se representar Deus: alguns o representam como o Deus mecânico, que intervém no mundo para modificar as leis da natureza e o curso dos acontecimentos. Querem pô-lo a seu serviço, por meio de fórmulas mágicas. É o Deus de certos primitivos, antigos ou modernos; outros o representam como o Deus jurídico, legislador e agente policial da moralidade, que impõe o medo e estabelece distâncias; outros, enfim, como o Deus interior, que dirige por dentro todas as coisas e que se revela aos homens no mais íntimo da consciência.” Albert Einstein
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Bestiários: simbologia na Id. Média (I)

Em definição breve e sucinta,
bestiário é uma coletânea de textos e iluminuras (ilustrações) sobre animais reais e imaginários, tanto em seus aspectos físicos, como morais e alegóricos.

Os bestiários eram manuscritos medievais,
onde se descrevia o mundo natural. Retratavam animais como pássaros, peixes, leão etc., e animais fantásticos, criados pela imaginação humana, como o unicórnio, a fênix, o dragão e a sereia.

Eram copiados por monges,
como os demais livros da Idade Média. E, à medida que eram copiados, outras espécies eram incluídas, “funcionando como um livro de notas de um naturalista, em permanente revisão”.

Os antepassados dos bestiários medievais (séc. XII e XIII):
  • a obra Physiologus (séc. II e III), texto latino, traduzido do grego, que representava a versão cristã do conhecimento naturalista. Ficou conhecido como uma tentativa de redefinição do mundo natural em termos cristãos;
  • a enciclopédia de Isidoro de Sevilha – a Etymologiae (séc. IV), era uma tentativa de explicar o nome dos animais.

Bestiários mais antigos:
  • Philippe de Thaon (1125), escrito em versos;
  • o Tractatus de bestiis et aliis rebus séc.XII), em prosa; e,
  • o De animalibus (séc. XIII).

Os bestiários tinham como objetivo
expor o mundo natural e instruir os homens. Partindo da crença de que tudo na Criação era um ato intencional do Criador, com a função de edificar o homem pecador, a natureza e os hábitos dos animais seriam uma mensagem para sua redenção.

Baseados nas Escrituras Sagradas,
os bestiários atribuíam a cada animal um significado místico, muitos dos quais representavam, simultaneamente, o bem e o mal, sendo-lhes dado um caráter dual.


“São Bernardo dirigiu o homem a lutar contra seus demônios,
‘a ira do leão, o desaforo do bode, a ferocidade do javali, o orgulho do unicórnio’."


“Em uma das visões de Daniel são quatro bestas emergentes do mar:
o primeiro foi como um leão com asas de uma águia, e um homem de coração foi dado;
a segunda como um urso, três costelas na boca entre os dentes;
o terceiro como um leopardo, sobre os flancos quatro asas de pássaros;
e, finalmente, a quarta besta, terrível e assustador,
extremamente forte, com dentes de ferro e dez chifres.
Estes animais correspondiam
ao império da Babilônia, e os reinos dos Medes, Persas e Alexander."

As iluminuras,
na maioria das vezes, eram complementares ao texto, apresentando detalhes que este omitia.

Outra característica dos bestiários
era a equivalência dos animais nos elementais terra, água e ar, de onde deriva a correspondência cavalo, cavalo marinho e cavalo alado.

Os bestiários tiveram grande influência
na Literatura (fábulas e alegorias), bem como nas Artes, por seu valor pictórico, e na Biologia, na enumeração e estudo das espécies.

Continuação em: Simbologia dos Animais


Imagens
Biblioteca Nacional da França (não deixem de conferir o site, há muito mais para se ver)
22:12 1 comentários

Bestiário: simbologia na Id. Média (II)

(livre trad. tema apresentado em exposição virtual da BNF)

Os animais foram criados para servir aos homens, não só como alimento, mas também para proporcionar-nos remédios e nos ajudar, como o cavalo, o camelo e seus semelhantes.



Outros para nos divertir, como os macacos, cães e várias outras espécies.



Alguns para nos tornar conscientes de nossa fragilidade, como as pulgas e outros parasitas que nascem de nossa miséria. Outros nos fazem temer a Deus e seu poder: leões, ursos e serpentes. Por exemplo, causa-nos medo e nos leva a invocar a Deus, por causa do medo que nos inspiram.



É um mundo animal totalmente pensado para louvor ao Criador e à formação espiritual do cristão que o bestiário coloca em primeiro plano, preocupado mais com as alegorias que com as ciências naturais.





Mesmo os animais familiares são objeto de relatos fabulosos: “acaso não é dado poder à doninha para conceber e dar à luz pela orelha e parir pela boca ou ao pelicano regurgitar e alimentar seus filhos com seu próprio sangue?”



Os artistas tinham predileção por criaturas híbridas inspiradas, às vezes, na antiguidade, como o dragão ou o centauro, que se tornou o Sagitário no zodíaco.






Não hesitavam em deixar as formas convencionais da antiguidade, com uma desenfreada proliferação de monstros, para, supõe-se, inspirar o medo do inferno e do julgamento final.



Embora o simbolismo do bestiário venha, na maioria das vezes, da Bíblia, há uma sobreposição de relatos antigos, que podem dar origem a interpretações complexas e contraditórias.



O leão, por exemplo, tem muitas facetas: supõe-se que durma de olhos abertos, que guarda a casa de Deus, devolve a vida a seus filhos mortos ao nascer, como Deus ressuscitou Cristo, e está associado à imagem da ressurreição. Entretanto, sua impetuosidade e seus rugidos às vezes fazem dele um símbolo do Diabo.




Na Idade Média ocidental, o imaginário animal se mostra particularmente rico e gerador de espécies fabulosas.



Fonte:
Biblioteca Nacional da França (não deixem de conferir o site, há muito mais para ver)
Maga Patateista BlogBlogs.Com.Br